SÍMBOLOS E MENSAGENS DOS ACONTECIMENTOS MILAGROSOS DE NIPEPE PARA A MISSÃO DE HOJE

 

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Introduçaõ:

descrição sintética dos eventos milagrosos de Nipepe

Para entender plenamente os simbolos e as mensagens do eventos de Nipepe, acho conveniente  apresentar uma prévia breve descrição.

Deitando a Makeya tradicional, eu, P. Frizzi Giuseppe, e os 3 catequistas maiores Bernardo Bwanaissa, Benjamin Anela e Manuel Mwaphareya, pedimos à Ir Irene que  salvasse o catequistado, isto é, a vida de todas as 52 famílias partecipantes. Começou o Padre com estas palavras

“Tu, ir. Irene, que tanto ajudaste os soldados doentes da primeira guerra mundial nos hospitais do Kenya e do Tanzania e sobretudo assististe toda a gente de Gikondi nas necessidades, a visitaste e curaste nas doenças até contrair doença e morrer por ela, ajuda-me e ajuda-nos nesta dramática situação, salva os catequistas com as suas famílias e o catequistado”. Depois do Padre, os outros 3 catequistas apoiaram o mesmo pedido.

A resposta da parte da ir Irene foi não só imediata, mas cheia e sovreabundante com vários sinais milagrosos concomitantes, foi uma resposta não sinfónica mas polifónica.

Apos atenta analise de todos os inúmeros sinais milagrosos relacionados com a invocação a Ir Irene, achou-se bem focalizar um só evento milagroso, escolheu-se aquele da multiplicação da água por ser mais extraordinário, mais evidente e mais fácil de testemunhar.

Eis uma breve síntese. Depois de ter saído a Renamo de Nipepe, na tarde pensamos em limpar a igreja, pois tanta gente tinha passado três dias concentrada lá dentro, pode-se imaginar a sujidade. È neste momento que tomo pleno conhecimento e consciência de dois factos cardiais para o processo  canônico: (1) da água no chão em redor de toda a pia, depois de ter sido preenchida desde 6 dias; (2) da existência de duas latrinas na igreja.

Vendo tanta àgua no chão, passados 6 dias do domingo do baptismo (8-13 de Janeiro de 1989), muito admirado, perguntei ao catequista Bernardo Bwanaissa o que isto era ou que isto significava. Foi então que ele, por sua vez muito mais admirado por eu não o saber, começou a falar da multiplicação da água na pia, pois nunca acabava, embora não existisse a possibilidade de sair da igreja a procura de água e embora bebessem de lá todos, sobretudo as crianças em continuidade até ao dia da saída,

Assim é só nesta altura que tomei plena consciência do facto da água. Naqueles dias, ocupado como era exclusivamente lá fora da igreja com os assuntos com a Renamo em defesa dos catequistas e do catequistado, não me tinha apercebido das urgências internas em que se debatia a gente reclusa na igreja, isto é, comida, bebida e casas de banho para tanta gente. Foi portanto a ir Irene que pensou nisso, sobretudo no sector da água, sector que era o mais difícil de obter por causa do controle hermêtico da Renamo postadas nas 4 portas laterais da igreja.

Pedido pelo Postulador, P. G. Pasqualetti IMC, o Prof. Krâstio Andrèev Panayatov, de fé ortodoxa, docente de matemática e de física na UCM, faculdade de Medicina na Beirade, entregou o seu parecer científico acerca dos presuntos factos concernentes a multiplicação da água. Ele chegou a Maúa e por mim acompanhado foi a Nipepe, concluíndo a sua análise afirmando claramente que cientificamente não era explicável que 200 mais pessoas fechadas durante 3 dias conseguissem matar a sede com os poucos litros de água que tinham ficado no tronco baptismal, depois que tinham sido baptizados com aquela água 32 crianças, sem esquecer que o tronco tinha rachas que vertiam água.

O milagre da multiplicação da água foi analisado por três comissões da Igreja: a comissão dos Peritos, dos Teólogos e dos Bispos e por fim recebeu a aprovação definitiva do Papa Francisco (24.06.14)

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a pia batismal de Nipepe

Tomando em atenta e plena consideração o evento milagroso de Nipepe relacionado com a invocação à Ir. Irene com o rito tradicional da Makeya, enucleo agora uns símbolos com as respectivas mensagens significativas pela missão hoje.

1- Makeya

O primeiro símbolo e a primeira mensagem vem do rito da Makeya, com o qual o padre e os três catequistas invocaram ir. Irene. Chama-se Makeya o rito tradicional macua xirima, che consiste em deitar no chão farinha de mapira, invocando Deus e os antepassados para um pedido ou para um agradecimento. A Makeya é o coração da biosofia e biosfera xirima, é presente em todos os sectores da vida do povo macuaa xirima: domestico, civil, iniciático, terapêutico, festivo, comemorativo.

Agora o meravilhoso no evento de Nipepe é que Ir Irene chega e actua em Nipepe como se fosse uma mulher macua xirima, entende e escuta o rito da Makeya que o padre e os 3 catequistas lhe oferecem, chega portanto em Nipepe não como estrangeira mas como uma mulher de casa e em casa. Aceitando e entendendo a Makeya, esta forma de oração e de pedido da tradição macua, ir Irene confirma por um lado a sua bondade e compatibilidade com a fé cristã e, por outro, envia uma forte mensagem de apoio aos esforços que em toda a parte se estão fazendo no diálogo e na troca de dons a nível da interculturalidade e interreligiosidade.

Os macua xirima comentam assim: ir Irene, aceitando a nossa Makeya, é como se pegasse no rabo do animal: pegou todo o animal, assumiu/ceifou toda a nossa cultura e religiosidade, a nossa fé em Deus Mãe que gera tudo e todos, Deus que é Lua que vive e dança com as estrelas/espíritos/antepassados, Deus que de noite prepara os relatórios/projectos para nós de dia realizá-los.

Em síntese, ir Irene proclama aqui uma norma fundamental para missão de hoje: ceifar a preevangelização e depois semear o Kerigma. O/a missionária encontra previamente Deus de casa e em casa de cada povo; sua tarefa consiste em perceber esta prévia caminhada de Deus não como um obstáculo, mas como fase prévia à evangelização.

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Ir. Irene na arte macua xirima

2- Sonhos

O segundo símbolo e a segunda mensangem do evento de Nipepe é constituído pelo mundo dos sonhos. Trata-se de dois sonhos: o primeiro é o sonho que o padre tive na segunda noite de detenção na igreja, a inspiração de se sentar e não se mexer. O dia seguinte quando recebeu a ordem de deportação, lembrando o sonho, o padre sentou-se no chão e, discutindo a longo com a Renamo, por fim obtive a permissão de ficar em Nipepe com 80 pessoas que assim não foram deportadas.

Mas é mais significativo o segundo sonho.

Depois que os Renamo sairam de Nipepe, um ou dois dias depois, o cat. Sebastião Aranha apresenta-se com um sonho profético e consolador. Sem ter conhecimento da nossa invocaçãp à ir. Irene, ausente e fugitivo nos dias do ataque, ele contou-nos que viu em sonho uma senhora branca, vestida como uma irmã da Consolata que tinha nas mãos dois livros e o convidou a lê-los. Ele respondeu que não sabia ler. Então a irmã mandou-lhe que rezasse ele e a comunidade  todos os dias a seguinte oração em macua: “Muluku ti mukhukuli aka, khiyavo enekithowe: o Senhor é meu pastor, não manco de nada”. Rezando esta oração, garantiu-lhe o regresso de todos os deportados, em particular da esposa (Margarida Muthamala) e do filho (Malaquia) do cativeiro, até este regressaria antes da mãe.

Este sonho consolou-nos de maneira extraordinária e na verdade depois de duas ou três semanas os deportados regressaram salvos e depois de um mês o catequistado retomou o seu rumo e ritmo.

De não esquecer que a tradição macua xirima costuma chamar estes sonhos tidos nos momentos de calamidade olohera mittora/ihako que significa ter/receber sonhos importantes, isto é, receber mensagens que espíritos grandes comunicam só numa situação dramática. A tradição xirima local afirma também que, quando se trata de olohera mittora, é um só e único o espírito que faz sonhar, portanto no nosso caso para toda a gente daqueles dias foi a Ir. Irene.

Com esta aparição e oráculo onírico, Ir Irene ganhou o seu terceiro grande título: Pwiyamwene = Matriarca de Nipepe. A matriarca não é a esposa do chefe, mas a mulher fondante e garante do reino, impersona e transmite uterinamente todos os poderes delegando depois o exercício ao seu parente uterino chefe. Em todos os momentos mais dramáticos e mais significativos da vida do povo (iniciações, pelegrinações, comemorações, curas, parlamento, tribunal…) imancavelmente aparece a figura da Pwiyamwene como figura lunar-nocturna (intermediadiária qualificada de Deus e dos antepassados) e ao mesmo tempo figura solar-diurna do seu povo (advocada, defensora).

Ir. Irene entrou neste arquétipo estrutural da biosofia e biosfera xirima e neste paradigma é invocada e venerada. Como tantas outras matriarcas que a tradição evoca oralmente pelas suas acções trágicas=heróicas, também agora ir. Irene tornou-se assim uma das matriarcas heróicas que alimenta não só a fé e a oração, mas também a fantasia da povo de Nipepe, quando à noite se reune em redor do fogo e transmite às novas gerações as façanhas do passado. No Kenya ir Irene recebeu os títulos de Mware e sobretudo de Nyaatha, em Nipepe recebeu o epíteto de pwiyamwene, são apelidos complementares que descrevem um crescendo stefaniano. Se ir Irene como Mware e Nyaatha é uma estátua, como Pwiyamwene torna-se um estatuto, um imperativo categórico, uma estrutura constitutiva na biosofia e biosfera civil e religiosoa do povo macua.

Fazendo sonhar e recebendo o epíteto de Pwiyamwene, ir Irene de novo lança uma mensagem em favor da cultura que se quer evangelizar. Jesus prescreve aos seus apóstolos de não ir com tantas coisas, pois entrando nas casas encontrarão tudo o que necessitam. Assim ir Irene chegando a Nipepe, faz sonhar, consola seguindo os moldes da biosofia e biosfera macua xirima, ceifa em primeiro lugar e depois semeia, evangeliza, consola. De novo, ir Irene proclama aqui a norma fundamental da missionária: ceifar a língua e a linguagem de um povo que se quer evangelizar como fase prévia da evangelização.

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Ir. Irene na arte macua xirima

3- O  tronco baptismal

attachment-14O terceiro símbolo e a terceira mensagem é oferecida pelo troco baptismal. Fazendo brotar água do tronco do baptismo, Ir Irene multiplica a água e dessedenta 200 e mais pessoas detidas na igreja durante 3 dias

a- História do tronco: sua simbologia: morte trágica para vida heróica

Acerca desta pia é bom saber a sua história: tratava-se de um grande tronco seco que se encontrava perto da casa das irmãs, dentro da machamba de um camponês de Nipepe. Este um dia suicidou-se pendurando-se naquela árvore. Daquela mesma e única árvore convidei o artista Cornélio Nvare a extrair a pia e mais tarde a cruz que está em S. Lucas, Maúa. O artista assim como os animadores de Nipepe, sabendo a história conexa com a árvore, mostravam receio e resistência em trasportá-la da machamba à casa dos padres. Por fim devido à minha insistência aceitaram de transportar o pesante tronco que se tornou pia, isto é, uma mini-lagoa (ntthiya nolampwa), um santuário. Como acontece em todos os lugares de peregrinação /santuários mais sagrados da tradição macua xirima, estes lugares se tornam tais só depois que alguém ali afogou ou morreu tragicamente. Não há morte sem vida e na verdade (post eventum) os acontecimentos de Nipepe confirmaram a tradição. Ir Irene faz deste tronco uma fonte de vida a nível físico e espiritual.

b- simbologia da árvore (mwiri), do tronco baptismal:

Uma árvore para a biosofia e biosfera macua xirima é arquétipo ancestral, pois é fonte de comida, de energia, é farmácia de inúmeros remédios. Ir Irene faz brotar desta árvore água suficiente para apagar a sede de tantas pessoas durante três dias.

No dia (08.01.89) do baptismo das crianças, este tronco tinha sido fonte de água baptismal, matéria de vida e de graça sacramental, enquanto nos dias de reclusão (10-14.01.89) foi fonte de água para todos os detidos na igreja, elemento que dessedentou a todos, até ofereceu água para o primeiro banho da bebé Irene, nascida na primeiro noite de retenção.

A terceira mensagem que ir Irene nos envia de Nipepe é por um lado em favor do sector da promoção e ajuda humana, da caridade sem limites de tempo e de espaço e, por o outro, uma mensagem em favor da vida sacramental que começa com o baptismo. Como Jesus que evangeliza e ao mesmo tempo cura e salva, assim ir. Irene nos faz lembrar o binómio da missão de Jesus:  não há promoção humana sem evangelização e não há evangelização e vida sacramental sem promoção humana. Ir Irene é famosa por ter feitos actos caritativos heróicos para baptizar muitos doentes in articulo mortis, doentes que se encontravam na periferia terminal da vida, onde a visita caritativa se tornava evangelização, consolação autêntica e definitiva em Xto Jesus.

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4- Ir Irene catequista crônica

O quarto símbolo e a quarta mensagem do evento milagroso de Nipepe vem da constatação que Ir Irene foi enfermeira, professora, mas sempre em função catequética, visitava as famílias acompanhada pelos catequistas que formava. Em Nipepe intervem milagrosamente em defesa de 52 famílias de catequistas que corajosamente durante a guerra civil que alastrava em todo o país  tiveram a ousadia evangélica de deixar para um ano inteiro a própria casa e comunidade para se inteirar plenamente com meios litúrgicos, catequéticos e bíblicos que a Diocese de Lichinga acabava de publicar: o missal dominical, o catequismo dos adultos, o livro das orações e dos Cantos, o Novo Testamento e os Salmos. Estes catequistas, mesmo depois do ataque, decidiram continuar o curso e, depois de outros ataques e noites passadas no mato, acabá-lo no dia da Consolata.

A intervenção milagrosa de Ir. Irene proclama em altos tons uma das paginas mais gloriosa da igreja ministerial moçambicana no tempo da perseguição marxista e da consequente guerra civil. Foi neste tempo que a Igreja Local de Moçambique encontrou a sua identidade programando e fomentando comunidades ministeriais em plena sintonia com a eclesiologia circular/partecipativa do Vat. II.

5- Ir Irene e as duas famílias consolatinas: MC–IMC

O quinto símbolo e a quinta mensagem do evento milagroso de Nipepe vem do facto que Ir Irene, irmã MC, chega em Nipepe para ajudar um padre IMC e muitos LMC, chega em ajuda do trio consolatino que sempre (desde 1902, Conferência de Murang’a) constituiu as três pedras lareiras da missionologia consolatina. No encontro de cada noite, este binómio e trinómio consolatino reunia-se para relatar e avaliar as actividades do dia em pro da evangelização. Além disso, Ir Irene era em Gikondi a mão direita do P. Giglio, IMC.

Com a sua intervenção milagrosa Ir Irene quer que se faça memória dos elementos constitutivos e momentos sincrônicos do carisma da Consolata e do Beato Allamano.

E’ oportuno não esquecer dois factores históricos (as raízes) que caracterizam o início do carisma consolatino. Em primeiro lugar  o carisma consolatino tem historicamente como figuras paradigmáticas e arquétipos o B. J. Allamano por um lado e, por outro, o binómio o cônego Camisassa – Mons. F. Perlo: por um lado sobressai a espiritualidade constitutiva allamaniana (carisma) e por outro o dinamismo expansivo camisassiano/perliano: esta dualidade arquétipa inicial foi vivida intensamente pela nossa beata Ir Irene Stefani: como religiosa era allamaniana 100%, como missionária era perliana 100%.

Outro elemento histórico que a ir Irene faz lembrar, porque caracteriza o carisma consolatino desde o seu momento aural, é o facto que os dois institutos nasceram gémeos: são ambos  missionários e missionárias da Consolata, são uma dualidade doméstica/familiar com o mesmo denominador, com o mesmo espírito, com a mesma espiral e código genético, numa palavra filhos e filhas da mesma mãe e do mesmo pai, em síntese, são as duas colunas de um único arco, colunas que não podem estar demasiado perto mas também não demasiado longe, só assim evita-se a queda do arco e só assim fortifica-se o arco.

Com a sua intervenção milagrosa em favor de um padre IMC, Ir Irene quer ser mensagem para que a dualidade consolatina nunca se torne dualismo ou divórcio, está a pedir uma outra renovada Murang’a consolatina com as três famílias consolatinas reunidas para programar uma nova época missionária consolatina não já no horizonte político do colonialismo europeu, mas no horizonte da globalidade moderna que faz do mundo inteiro uma única aldeia.

6- O regresso da missionária

O último símbolo e a última mensagem do evento milagroso de Nipepe vem da memória  que Ir Irene dos últimos dias da sua vida. Insistindo pediu e fez oferta da sua existência, vivendo no seu coração por um lado aqueles momentos dramáticos das duas famílias consolatinas e por outro a crise da metodologia da missão que se apresentava em moldes diferentes depois de 30 anos de evangelização. È nesta altura que ir Irene, religiosa 100% allamaniana, missionária 100% perliana, sai do horizonte da missionariedade evangeizadora caritativa humana para entrar no horizonte da missionariedade oblativa e autoimolativa, típica e única de Deus Uno e Trino, bebendo ao cálice da ingratidão, da marginalização, da imolação, amando a caridade mais do que si mesma.

Com a sua intervenção milagrosa em Nipepe, Ir. Irene nos faz lembrar a ultima fase da dinámica da missão, ela entra em cheio na fase do regresso do enviado que Lc 10, 17-24 foca em modo maravilhoso. Trata-se da fase na qual a missionária Irene Stefani regressa com a mochila cheia. Esta fase terminal permuta ir Irene de evangelizadora que semeia em evangelizada que ceifa em plenitude, de missionária dinámica como Marta de Betania em missionaria contemplativa mistica como Maria de Betania.

Nesta fase de projecção finale, ir Irene depõe a sua mochila cheia, senta-se em cima dela e aos pés de Jesus o contempla imergendo-se no mistério trinitário oblativo e imolativo, pregustando em antícipo a alegria por estar o seu nome escrito no livro da vida, como Jesus que cheio de Espirito Santo agradece filhalmente ao Pai entregando-se totalmente a sua tarefa salvífica.

Nesta fase final Ir Irene de religiosa 100% allamaniana, de missionária 100 % perliana, torna-se discípula de Jesus100%, plenamente evangelizada pela Boa Nova de Jesus.

Pe. Giuseppe Frizzi, IMC

centroxirima@gmail.com

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